terça-feira, 20 de setembro de 2011

O amor

Você está sozinho. Em frente à tevê, devora dois pacotes de salgadinho enquanto espera o telefone tocar. Aí você pensa: bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Acontece que amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado, ou pode chegar tarde demais. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?


O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você pode passar uma festa inteira, hipnotizado por alguém que nem te enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana com os amigos, e busca refúgio em uma locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar até mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor está presente em toda parte. Agora a segunda: mas é imprevisível. Você não precisa sempre ouvir "eu te amo" num jantar a luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira relação amorosa. O amor odeia ser comum. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

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